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BOAS FESTAS – Mensagem de Natal de Fernando Paiva, Bispo de Beja

O nascimento de Jesus, o Filho de Deus, irrompe na história da humanidade como um clarão de paz, um clarão que ilumina as trevas das nossas noites; as noites da falta de sentido, da falta de comunhão, da falta de justiça e da falta de paz. Como escreveu, em tempos, o padre e poeta Dinis da Luz:
“… esta noite, entre as noites a divina, A noite nos traz / Um clarão de paz / Bênção das alturas /Ao mundo às escuras”
Porque, como nos diz o profeta Isaías: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz […] um Menino nasceu para nós”. Este Menino, ao entrar na História da Humanidade, transformou-a e continua a transformá-la em História de Salvação. Da mesma forma que a História da Humanidade é marcada por sofrimentos e injustiças, mas também por gestos de solidariedade e serviço, também a nossa história pessoal — com as suas virtudes e fraquezas, a sua graça e o seu pecado — é tocada pela luz de Cristo que nos salva e nos pacifica. É Jesus que, descendo do Céu, nos traz a verdadeira paz neste mundo tão dilacerado pela divisão, pelos conflitos e pela guerra.
O dinamismo do amor, leva-nos a desejar e a tudo fazer para encurtar distâncias e estar junto de quem amamos. O amor pede, requer proximidade. Assim acontece com Deus, que veio habitar no meio de nós; Em Jesus, Deus fez-se próximo. É o mistério do Emanuel — o “Deus connosco”. Porque Deus está connosco, confiando na Sua graça e iluminados pela luz de Belém, pedimos-Lhe que não nos deixe desistir do desejo e do propósito de nos unirmos para promover o bem comum — um esforço conjunto no qual todos somos chamados a empenhar o melhor das nossas capacidades, tendo por prioridade o serviço aos mais frágeis.
Faço um apelo especial aos políticos e aos nossos governantes, a quem foi confiada a nobre missão de zelar pelo bem comum: que à vossa dedicação não falte a coragem, a isenção e a determinação para que, neste nosso Baixo Alentejo, litoral e interior, e neste nosso País, a Justiça não mais permita práticas ou procedimentos injustos; para que os apoios sociais cheguem de forma célere aos que, de facto, mais precisam; para que os cuidados de saúde não excluam ninguém e para que sejam criadas as condições que ponham fim à exploração injusta e desumana dos mais frágeis, nomeadamente dos migrantes.
Ao terminar esta mensagem de Natal a todos expresso o meu veemente desejo de que “a Paz esteja convosco” – que a paz permaneça sempre convosco! E, citando o nosso Papa Leão XIV, reafirmo que “Esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente.”
Felizes Festas de Natal!